Malditos rails

Uma vez é coincidência, mas à segunda, já dá que pensar. Depois do grave acidente sofrido por Robert Kubica o ano passado, quando se despistou no seu Skoda Fabia S2000, e um rail entrou pelo carro dentro, ferindo gravemente o polaco, desta feita a tragédia bateu mesmo à porta, quando Gareth Roberts, navegador de Craig Breen, perdeu a vida no Rali Targa Fiorio, na sequência dum despiste onde o rail entrou pelo carro dentro, matando de imediato o infortunado navegador.

Por JLA a Domingo, 17 de junho de 2012 0:55

Pelo que se vê nas imagens do local do acidente, era uma curva rápida à esquerda, numa estrada estreita, onde provavelmente o piloto entrou depressa demais, não evitando o rail, que como se vê na imagem está ligeiramente virado para fora, mas apenas 15-20 cm, insuficiente para impedir que entrasse pelo carro, lançado a alta velocidade.

Se o rail estivesse enterrado no chão, provavelmente o que aconteceria era um capotanço, já que o carro subia o rail e era catapultado. Os rails são feitos para suportar veículos que lhe batem lateralmente, mas são frágeis quando embatidos no seu início.

Talvez seja altura das organizações colocarem, por exemplo, um recipiente de plástico semelhante aos que se colocam nas bermas das estradas, ou a delimitar obras, no início dos rails em zonas onde os pilotos cheguem a grandes velocidades, onde seja mais provável poderem lá bater de frente, pois isso provavelmente evitaria que o ferro trespassasse o carro.

Ironicamente, uma semana antes do Targa Florio, Abdulaziz Alkuwari teve um acidente muito semelhante no Rali da Bulgária, quando o seu Mini JCW S2000 ficou empalado num rail. Desta feita os ocupantes tiveram a sorte que faltou a Gareth Roberts.

Assim, a edição 96 do Targa Florio ceifou mais uma vida, numa prova marcada por muitas fatalidades. Em 1985, Sandro Picone morreu envenenado pelos gases de escape do seu carro, que entraram no habitáculo. Em 1991, morreu um espectador, atingido por um carro. Mais para trás, em 1977, perdeu a vida Gabriele Ciuti devido ao despiste do seu Osella PA5 Abruzzo. O primeiro acidente desta longa lista deu-se em 1926 quando o conde Giulio Masetti perdeu a vida no seu Delage. John Alloatti morreu em 1934, quando corria com um Bugatti Type 51. Em 1958 perdeu a vida Sergio Der Stepanian, num Ferrari 250 Berlinetta. Fulvio Tandoi morreu em 1971, aos comandos dum Alpine Renault A110, e em 1973 o inglês Charles Blyth, em Lancia Fulvia HF. Infelizmente, uma longa lista, numa prova que tem uma história tão bela quanto trágica.

Comentários

Re: Malditos rails
por Anónimo
1 ponto 10:34 | Domingo, 17 de junho de 2012
Já em 1994 morreu um navegador no rali de Esposende pelo mesmo motivo, a ponta dos rails não estava enterrada e entrou pelo carro dentro. Deu-me no que pensar, quando no ano seguinte passei lá ao disputar a segunda edição do rali (apesar da situação já ter sido corrigida na altura se a memória não me falha). Saudações PZM63
Rails assassinos
por Anónimo
1 ponto 12:00 | Domingo, 17 de junho de 2012
O trágico acidente de Esposende há uns anos atrás, bem como outros acidentes mais recentes com rails mal colocados, já deveria ter merecido mais atenção por parte das organizações das provas. Infelizmente, as estradas de alcatrão europeias, estão enxameadas com estas ratoeiras. Um assunto que se for estudado a curto prazo, estou certo que terá solução eficaz evitando assim mais mortes da parte destes rails assassinos.
Re: Malditos rails
por Anónimo
1 ponto 13:00 | Domingo, 17 de junho de 2012
Há duas soluções, a primeira é enterrar as pontas dos rails no chão. Mas como foi visto no acidente do Kubica isso só não chega já que nesse caso o carro bateu a meio do rail e ele cedeu por ai. Por isso tem que se proteger a frente e as laterais dos carros para que sejam impenetráveis. The Cube
Re: Malditos rails
por Anónimo
1 ponto 13:54 | Domingo, 17 de junho de 2012
o acidente do kubica o rail ja estava danifidaco devido a acidentes do dia a dia.quando ele bateu essa zona ja estava bastante fraca por isso é que se partiu com o embate.
Re: Malditos rails
por Anónimo
1 ponto 14:55 | Domingo, 17 de junho de 2012
De repente dou por mim a pensar em vários materiais que poderiam substituir o dito "ferro" dos rails e redesenhar os mesmos não seria má ideia! E materiais que poderiam ter um bom "campo de cedência antes de partir! Estes e como li ontem num comentário são autênticas facas no que se trata em segurança para os ralis! Chego mesmo a pensar, que o tão visualizado e falado capotanço de Latvala cá em Portugal em 2009 (onde galgou o rail) no malhão é preferível a um encontro contra os rail se o carro viesse d outro ângulo para o mesmo! Para capotar forte e feio os carros estão notoriamente preparados, agora para um pedaço de ferro entrar no carro é algo que não assiste na cabeça de alguma equipa ou preparador.. não é de todo um acidente semelhante onde se perdeu "Beef" como já li por outros lados! A única semelhança entre os malogrados navegadores no acidente, fica-se mesmo por o país onde nasceram! D.E.P Gareth Roberts!
malditos ralis
por Anónimo
1 ponto 19:58 | Segunda feira, 18 de junho de 2012
se calhar esta-mos a ver a questão pelo lado errado antes de mais como é óbvio deveriam ser revistas todas as situações de perigosidade ao longo das classificativas um simples fardo de palha teria ajudado a minorar os efeitos nefastos do choque e deveria ser escolhida a classificativa em função dos modernos carros de ralis que atingem performances verdadeiramente elevadas onde se depreende que os pilotos a este nivel em conjuntos com os navegadores determinariam o nivel de dificuldade precavendo-se assim este tipo de situações . e agora pergunto eu porque se limitou tanto os reconhecimentos e treinos para este tipo de provas quanto mais é o conhecimento mais a concentração do piloto permitindo um maior refinamentos das notas de andamento,por outro lado temos os exemplos de inumeras provas onde temporária mente é colocado nos pontos mais inseguros uma segunda fiada com os respectivos remates ainda as respectivas organizações podiam e deviam fazer briffing com os pilotos como dizia um velho amigo á muito nos ralis aquando da classificativa de cerquido nomeadamente a descer "meus amigos isto aqui é para andar com calma"
A CULPA NÃO É DOS RALIS...
por Anónimo
1 ponto 8:41 | Terça feira, 19 de junho de 2012
É com imensa pena minha e desde já os meus sinceros pêsamos a familia de um jovem que tinha tanto para dar a este belo desporto. Espero que esta morte como as que já aconteceram antes não seja esquecida nem seja em vão e que sirva para as organizações dos ralis não pensem só no valor da inscrição, que é o que eles só tem na cabeça...dinheiro...e pensem que sem a segurança das pessoas que realmente fazem este tão belo desporto que são os pilotos e o público não será possivel continuar.uma coisa tão simples como fazer as verificações do estado das estradas durante a organização do rali e durante as verificações dos carros de segurança...não é só passar lá abrir, cheios de adrenalina no carro de segurança para as pessoas aplaudirem e nem ligam nenhuma ao que se passa fora do carro.Como amante deste desporto e piloto, deixo aqui um pedido mais uma vez...NÃO CULPEM OS RALIS...LUTEM POR MELHORAR...
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