Malditos rails
Uma vez é coincidência, mas à segunda, já dá que pensar. Depois do grave acidente sofrido por Robert Kubica o ano passado, quando se despistou no seu Skoda Fabia S2000, e um rail entrou pelo carro dentro, ferindo gravemente o polaco, desta feita a tragédia bateu mesmo à porta, quando Gareth Roberts, navegador de Craig Breen, perdeu a vida no Rali Targa Fiorio, na sequência dum despiste onde o rail entrou pelo carro dentro, matando de imediato o infortunado navegador.
Pelo que se vê nas imagens do local do acidente, era uma curva rápida à esquerda, numa estrada estreita, onde provavelmente o piloto entrou depressa demais, não evitando o rail, que como se vê na imagem está ligeiramente virado para fora, mas apenas 15-20 cm, insuficiente para impedir que entrasse pelo carro, lançado a alta velocidade.
Se o rail estivesse enterrado no chão, provavelmente o que aconteceria era um capotanço, já que o carro subia o rail e era catapultado. Os rails são feitos para suportar veículos que lhe batem lateralmente, mas são frágeis quando embatidos no seu início.
Talvez seja altura das organizações colocarem, por exemplo, um recipiente de plástico semelhante aos que se colocam nas bermas das estradas, ou a delimitar obras, no início dos rails em zonas onde os pilotos cheguem a grandes velocidades, onde seja mais provável poderem lá bater de frente, pois isso provavelmente evitaria que o ferro trespassasse o carro.
Ironicamente, uma semana antes do Targa Florio, Abdulaziz Alkuwari teve um acidente muito semelhante no Rali da Bulgária, quando o seu Mini JCW S2000 ficou empalado num rail. Desta feita os ocupantes tiveram a sorte que faltou a Gareth Roberts.
Assim, a edição 96 do Targa Florio ceifou mais uma vida, numa prova marcada por muitas fatalidades. Em 1985, Sandro Picone morreu envenenado pelos gases de escape do seu carro, que entraram no habitáculo. Em 1991, morreu um espectador, atingido por um carro. Mais para trás, em 1977, perdeu a vida Gabriele Ciuti devido ao despiste do seu Osella PA5 Abruzzo. O primeiro acidente desta longa lista deu-se em 1926 quando o conde Giulio Masetti perdeu a vida no seu Delage. John Alloatti morreu em 1934, quando corria com um Bugatti Type 51. Em 1958 perdeu a vida Sergio Der Stepanian, num Ferrari 250 Berlinetta. Fulvio Tandoi morreu em 1971, aos comandos dum Alpine Renault A110, e em 1973 o inglês Charles Blyth, em Lancia Fulvia HF. Infelizmente, uma longa lista, numa prova que tem uma história tão bela quanto trágica.







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